sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Silêncios


 

Eu sei que, talvez, sabendo de tudo que nos atrapalhou, apesar do que queríamos, tudo isso hoje nem signifique mais nada para você,  mas eu preciso dizer, escrever, expressar de alguma forma, pois sentimentos não compartilhados são como elementos não estabilizados: explodem ao mínimo contato. Então falarei, ainda que talvez você nem saiba que é sobre você que eu falo, antes que tudo isso exploda de forma violenta de dentro de mim...

Eu preciso que você saiba que foi a pessoa que eu mais me senti sintonizado em toda a vida! Eu nunca estive com alguém que eu tivesse e percebesse tanto em comum! Sejam as visões de mundo, as posturas, as atitudes, os fazeres e lutas! Sejam os gostos, ou até mesmo o humor.

As poucas vezes em que vc me deu o privilégio de usufruir da sua intimidade foram momentos em que eu me senti tão pertencente, tão parte, como uma peça de quebra-cabeça que se encaixa tão perfeitamente que as limitações se tornam invisíveis, ainda que existam! Eu sinto que nunca esquecerei dessa sensação e, obviamente não quero ser piegas, nem clichezar o que houve entre nós, afinal, não dá pra reduzir dessa forma algo que foi tão avassalador em meu peito que não consegui definir exatamente onde acabava o êxtase e começava o medo... eu sinto muito por tudo isso! Mesmo sabendo que você não tem controle sobre o que nos impede, eu sinto muito por nossa impotência... por nossa limitação!

Ainda que em silêncio, lembrarei sempre do nosso vinho, dos nossos passos de forró, dos nossos silêncios e dos nossos carinhos... ainda que em silêncio, nunca esquecerei do seu sorriso, e de como ele me fez flutuar, pois me sustentava sem cair, ainda que não existisse chão para me apoiar... ainda que em silêncio eu jamais me esquecerei de nossa cumplicidade e do nosso xamêgo... ele me afagou quando te afaguei e quando precisei me consolar por não poder gritar nossa canção em voz alta...

Por mais falta que eu sinta do seu sussurro, é sua voz que mais me doi, a ausência! Te ouvir cantar me deixa tão maravilhado que eu contava as horas pra ouvir de novo, sorrindo, você acanhada soltar a voz... foi ela que primeiro me furtou, tomou de repente... foi ela que me fez perceber estar apaixonado por uma vida que jamais poderia viver. E por mais aterrorizante que constatar isso pudesse ser, me fez sorrir, pois é preciso estar vivo para sentir... e sentir me fez viver!

Sei que seu cantar, seu sorrir, sua voz, são tesouros que eu não posso nem poderei ter, mas sempre vou lembrar, como aquela fotografia que não poderei reviver, mas sempre vou sorrir ao relembrar, pq nunca deixará de ser parte de mim... 

Então, por favor, meu bem me dê, junto com seu sorriso, o seu perdão. .. e divida comigo um brinde (do nosso vinho branco suave) a todas as boas memórias que pertencem somente a nós! Em parte de mim, uma vida que poderíamos ter vivido juntos sempre existirá!

domingo, 24 de setembro de 2023

Paredes

 


Quatro paredes guardam nosso segredo... O dia, nas suas últimas horas, nos protege e acoberta nossa fuga! No escuro, a luz de um sorriso enorme ilumina sua face e sua pele arrepiando a cada beijo me faz procurar seu pescoço no espaço entre um beijo e outro... abrir os olhos ao te beijar me faz acreditar que os cantos da sua boca não sabem desfazer o sorriso que brinca em seus lábios e me puxa pra você!

Quatro paredes testemunham nosso desejo... Arfamos, sedentos, buscando a pele um do outro, como se a sede fosse insaciável e quanto mais sentia, mais bebia, e mais desejava! As mãos, num misto entre suavidade e voracidade, correm por todo o corpo, desde o pescoço, a linha do queixo, até se perderem em completa profusão de espasmos, incontroláveis, que percorriam todo o nosso corpo, nada tinha fim, não existia extremidade! Falta ar, sobra calor! Transbordamos juntos...

Quatro paredes protegem nosso carinho... E abraçado a você, no escuro, te provoco e damos risadas ao notar que suas pernas ficam arrepiadas, não importa quantas vezes eu beije sua orelha! O cheiro de seu cabelo me inebria e, apertando seu corpo junto ao meu, eu imploro pra que a noite nunca acabe, que o relógio esqueça de correr e que ninguém precise lembrar de nós. Enquanto aquele sorriso brilhar pra mim, não sentirei falta da luz do sol!

Quatro paredes não mais nos aquecem... naquele espaço, o silêncio ficou, tendo como companhia apenas a saudade. Não mais o carinho ou o desejo, apenas a lembrança, amordaçada, de algo indizível, mas que grita! Pois todas as vezes que vislumbrar, ainda que de longe, ao acaso, sem querer, o seu sorriso largo se abrindo, ele sussurrará pra mim o nosso segredo.

sábado, 2 de setembro de 2023

Mergulhar




É bem confusa, a maneira como as pessoas falam sobre sentimentos. Todo mundo, em algum momento, quer ser dengado, receber um chamego, um carinho... todo mundo gosta da atenção de uma companhia sincera. Mas vivemos o tempo da insegurança! Sempre tem alguém pra trazer Bauman pra falar dos tempos líquidos, mas pouca gente aponta o fato de que fusão que derrete os amores do nosso tempo é, justamente, o medo.

Medo de não ser correspondido, de não ser suficiente, de ser visto por outros como alguém sensível demais, como trouxa ou abestalhado, essas últimas quase exclusivamente fruto de um machismo que insiste em reprimir em nossas crianças as emoções e sentimentos que um dia os tornariam amantes tão carinhosos e dedicados. Não podemos demonstrar devoção, entrega ou qualquer tipo de dedicação e já somos apagados pelo resto do bando de inseguros, que não toleram que algum lobo se desgarre dessa alcateia disfuncional... é triste.

Mas li, em algum lugar, há algum tempo, que o medo é uma reação natural ao desconhecido. Ora, mas o amor é a coisa mais conhecida de todas, ainda que não consigamos conceituar com precisão. Mas qual a necessidade de um conceito? O que precisamos é sentir! E ainda que exista quem não conheça alguma forma de amor, a maioria de nós já foi tocado por ele, em vários formatos, configurações ou expressões. Ainda que, muitas vezes, nossas cismas o eclipsem, disfarcem, apaguem, ele continuará ali, na espera, nem sempre silenciosa, da oportunidade de se impor!

Já amei de muitas maneiras. O amor é aprendido, desenvolvido e, como a utopia, nunca se atinge seu ponto final. Ele é feito pra nos manter aprendendo! Um sistema interno que funciona de maneira especial pra nos mostrar que sempre há um pouco de caminho a trilhar, em direção ao outro. Me disseram, em tom de censura, que eu só escrevo sobre o amor, mas não fazem ideia do tamanho do elogio que me fizeram! Enquanto houver sobre o que falar, ainda há o que viver, o que aprender, e muito para ser.

Não aceito amar pouco. Não acredito, sequer, que exista tal possibilidade. Amor é uma fonte incontrolável, que nem sempre reconhecemos em seu brotar, por parecer uma nascente coberta por folhas, mas que rapidamente alarga-se num córrego ligeiro, cuja correnteza não permite um navegar tranquilo, ou lentamente. Quando nos damos conta, estamos à beira de um imenso oceano, que desaparece no horizonte, ainda que a praia seja visível. Digo dessa forma, pois sempre há a possibilidade de chapinhar as águas que tocam a areia, negando-se o mergulho, na intenção de se manter na sensação de segurança que o raso pé firme pode prover.

Mas de que adianta, ter o oceano a seu alcance, mas nunca abandonar a areia? De que adianta aprender, uma braçada por vez, a nadar, mas molhar apenas os pés? Não me serve, não me apetece. Não me adianta calma da areia, se não posso enxergar a beleza das cores dos corais. Não nasci para amar pouco...


Não nasci para nadar no raso


 

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Super Lua



 

Mais uma vez ela lança essa energia intensa e forte sobre nós, clareando com uma luz cálida esta noite quente e nos invadindo o espírito. Já rabisquei tantas vezes sobre ela, ou com sua importante participação, que às vezes penso não ter mais do que falar, mas sentado aqui no quarto, no escuro, te observando entrar através da janela e sentar aqui comigo, arrisco dizer que nunca a contemplarei o suficiente.

Será que ela está te observando também, de sua varanda, próximo à arvore, sentindo a mesma energia que eu, enquanto faz carinho na gata que ronrona em suas pernas? E se estiver, será que pensa em mim, da mesma forma que eu, aqui imaginando a presença dela sentada conosco sob sua luz? Será...?

Você tem o condão de me levar a estes devaneios de ligação, como se te contemplar pudesse me transportar para longe, para perto, como se não existisse distância, para quem te observa.

Talvez ela nem mesmo te veja, talvez nem mesmo lembre de mim, ao te ver. Talvez tenha olhado para você, sorrido, comentado o quanto você fica bella ao sorrir sua luz para nós, e seguido sua noite, em paz e reenergizada. E que momento fantástico deve ter sido o toque da sua beleza refletido naqueles olhos apertadinhos pelo sorriso que se abriu!

Ainda que continue sozinho aqui, iluminado apenas por você, me sinto confortado, abraçado. Sozinho sob sua luz sem calor, eu sorrio e fecho os olhos, pra alternar entre o seu sorriso e o dela... e espero que não seja preciso aguardar a próxima super lua pra que eu sinta a sua presença... ou a dela.

domingo, 6 de agosto de 2023

Banho

 



O barulho da água caindo é um canalizador de paz. Com os olhos fechados e o queixo erguido, refugio-me num recanto distante das atribulações que se inquietam e parecem querer fugir da clausura da mente.

Ouço quando você entra e não dou muita importância, achando que, de novo, esqueceu um creme qualquer e vai sair apenas mandando “ei meu cheiro” pela porta apressada. É por isso que me assusto quando suas mãos tocam meu peito e sinto seu rosto, já se molhando, pressionando contra minhas costas num abraço apertado... e rapidamente volto a fechar os olhos, apertando suas mãos e sentindo seus cabelos, por mais curtos que sejam, colando em minha pele...

Me viro e vejo seus olhos sorrirem pra mim, junto com o traçado tão expressivo de sua boca... devaneio alguns segundos em resfolegar, com um impacto tão cheio de aconchego! E mais alguns segundos ao correr os olhos por seu corpo, já todo molhado da água que espirra em meus ombros, e encantado por cada marquinha, como se fosse a primeira vez que o vejo. É sempre um adolescente que floresce em meu peito, cheio de desejo, pressa e fulgor..., mas que o tempo me ensinou a domar, de maneira que meus olhos absorvem com prazer cada marca, curva, desenho desse templo que se arrepia com a água enquanto eu me perco te olhando.

Meu impulso, após o sorriso que me veio com uma naturalidade tão grande que é como se estivesse ali, é de te abraçar forte, com a água caindo em volta do nosso corpo... não plural. Singular. Extenso... Sentir você me puxar pra perto e levantar a cabeça pra me beijar... passar a mão em suas costas, sentindo a textura molhada e o arrepio que te faz virar o rosto de lado, se esticando e levantando a orelha, para então encostar-se de lado em meu peito. Eu me aproveito do alcance pra beijar bem devagar seu pescoço e te aperto ainda mais sobre meus braços, sentindo seu corpo reagir e a gente se excitar juntos, à medida que nossas peles ficam super conscientes do tato das extremidades do outro... sendo capazes de sentir cada movimento de respiração, da água, cada contorno do corpo que a água segue e onde nossas mãos podem alcançar, apertar...

Você afasta a cabeça, sorri pra mim e, com a mão em meu rosto, diz com sua voz sussurrada e rouca, cuja lembrança sempre arrancará um sorriso meu: “eu estou aqui com você, meu bem. Sempre!”

Então o toque cálido dos seus lábios cura a alma, transcendem o corpo e me acompanharão nos sonhos mais tenros que eu puder vir a ter...


quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Contato

 



O frio nunca me apeteceu. Estar perto e precisar de um esforço de combustão para sentir o calor, não se aquecer apenas pelo toque e o contato, é como se algo estivesse em falta, como se as lufadas de vento da rotina e do habito apagassem a chama natural, que só volta a arder quando o frio treme as entranhas, num esforço plástico de buscar um equilíbrio que dura um átimo, um estalo de faíscas e logo se apaga sem ser devidamente alimentado, retornando à frieza anterior.


A chama irrefreada também não me apetece. Não que o calor não seja o ideal, afinal a labareda dançante é como o abraço que deliciosamente queima a pele, acordando os sentidos e tornando o contato uma própria reprodução de uma língua de fogo pulsante... Mas que não se mantém, a menos que seja constantemente alimentado. E a chama não compartilha o oxigênio, ela apenas o consome! O fogo não permite a companhia, pois seu ardor é sobre atrair tudo para si e alimentar-se, aumentando sua chama e consumindo tudo que se aproxima. E se não for devidamente alimentado, se apaga. Não é possível estar ao lado, só longe, em contemplação, ou dentro, à serventia de combustível.


O morno, tampouco, me apetece. E a esta altura devo soar como um insatisfeito a quem nada agrada. Afinal se à frieza falta calor e à chama falta partilha, o ideal não seria o meio termo, o equilíbrio entre os dois extremos? Não, eu digo, pois o morno é a temperatura dos temerários. Opta pelo morno a pessoa que tem medo de se queimar, portanto não experimenta a chama, mas também a pessoa que foge da frieza, pois o tremor será sempre solitário. O morno não aquece nem esfria. O morno é vazio. E o vazio é ainda pior que os anteriores, pois promete esquentar na solidão, sem oferecer o calor da companhia. Ora, de que adianta?


Mas então o que sobra? Se os extremos transbordam e o meio esvazia, o que buscar? Aliás, por que buscar? Ora, sei eu o que arde em mim? Preciso me encaixar nesses termos?

Eu prefiro, então, queimar como brasa. Arder constantemente, exalar calor, manter aquecido, ao tempo que minhas chamas não consumirão meus arredores. A brasa não apenas permite, sem absorver, a companhia de outras, mas também as tem como bem vindas! Afinal, o calor provocado pela parceria a mantém acesa, sem suprimir o calor da outra. Assim como ela não se apaga instantaneamente ao sentir o vento frio, também não é de pronto absorvida pela presença do fogo, pois ao ser lambida pelas chamas, ela também se alimenta, se aproximando de uma perenidade deliciosa, que mantém o ardor e atiça os sentidos sem queimar rapidamente, prolongando a sensação de aconchego, calor e conforto... e que enquanto arder, viva!

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Aroma



Oi meu dengo.

Eu queria estar escrevendo neste momento mais um dos textos que já fiz quando você, em minha mente, contemplava a lua em seu quintal, ouvindo minhas palavras e me olhando com esses olhares profundos e o sorriso enviesado que brinca em seu rosto. Infelizmente cada ato nosso tem consequência e eu, irremediavelmente, estou colhendo o amargor da semente que plantei. 

Eu conheço a dor de produzir palavras tristes, mas dessa vez é diferente! Não dói escrever. Não dói pensar em você. Só sorrisos brotam no meu rosto, empapado de lágrimas, quando você me vem à cabeça, a cada cinco minutos, me fazendo pegar o celular institivamente pra olhar sua foto do perfil. O que dói é não poder te chamar ali na mesma hora e dizer “ei dengo, saudade de você” e mandar aquela figurinha pecaminosa que faz a gente rir sempre da mesma coisa, quebrando todo tipo de clima, mas que não conseguimos deixar de mandar. O que dói não é devanear como teria sido a gente na rede, como falamos tantas vezes, é olhar pra a rede e saber que ela não vai ser pressionada por nossos braços e pernas, desengonçados, descobrindo que não é assim tão confortável por muito tempo, mas rindo juntos e se abraçando de qualquer jeito, antes de desistir e se largar no sofá.

Eu vivi, antes e agora, dias de devaneios, de sonhos, de compartilhar contigo cada desejo que tínhamos de viver coisas simples, a ponto de associarmos nossos perfumes com tanta força que, mesmo sem nunca sentir um no outro, se eu levar aquele sachê ao nariz e fechar os olhos, é seu rosto que eu contemplarei de automático. A caixa dele está devidamente guardada agora e o que dói é saber que aquele aroma permanecerá apenas no chá.

As minas, as cachoeiras, os acampamentos em algum lajedo qualquer, as ametistas, tudo que me lembra você perdeu o brilho. Não faz mais sentido! E o que angustia é exatamente saber que a dor não está nas coisas. A dor reside em não poder tê-las, em não poder pertencer a elas em sua mente. A dor é algo impalpável, não vem de perto, mas de algo inalcançável. E ainda assim parece que cada coisinha dessa me foi arrancada do peito a fórceps, deixando para trás o vazio.

Aqui dentro desse peito lacerado, num cantinho, no meio do esmagador nada que restou, agarrado ferrenhamente, como se sua vida dependesse disso, um persistente devaneio. Uma abstração que persiste em acreditar que um dia ainda estaremos à beira do Tiburtino, largados ao sol, sorrindo como se ele nunca fosse se pôr.

E que devaneio teimoso é a esperança... 

domingo, 13 de junho de 2021

Proibido

 



O que fazer quando um querer não pode ser gritado e levado pelo vento? Como lidar com um desejo que, proibido, censurado, calado, não pode lacerar o peito e tomar de impulso todo o corpo e alma desejados, em um espasmo convulsionante, porém sincronizado, consumindo-se em saciedade?

Desde que você apareceu em meu caminho, cada boa noite oculta um pedido, uma expressão desejosa, um sussurro que deveria ser feito ao ouvido. Cada bom dia expressa o desejo de amanhecer em carícias leves, que carregam na ponta dos dedos toda a eletricidade que desperta o corpo e o espírito.

O que fazer eu não sei. Desprezo saber. Porém sei, cá errado e persistente no erro, que quero continuar a ver-te ruborizada quando falo, com o mesmo encantamento e a mesma dose de lascívia, tanto do seu sorriso avassalador, belo e apaixonante, quanto das suas coxas e da curva perfeita que seu quadril faz ao inclinar a bunda de modo provocador, esperando por meu sorriso desajeitado e rindo de minhas palavras atrapalhadas ao ficar completamente descompassado com seu intento.

Quero continuar a ver, ainda que apenas quando fecho os olhos, você, completamente nua, deitada em minha cama, a pele reluzente refletindo a fraca luz que rompe as cortinas, confortável, descansando, recuperando o fôlego e aguardando que a alma retorne para o corpo, após ter sido lançada em combustão. Quero recostar-me ao seu lado e alisar suas costas, rindo ao ver o choque ao primeiro toque, e me deliciando com seu prazer ao ser tocada, evidenciado por cada ponto de arrepio em sua pele...

E que afortunado serei eu, se cada devaneio por nós dois construído, imaginado, trocado e alimentado, puder realizar-se, com adendos e ousados improvisos, como chamas que se materializem do calor emanado de nossos corpos e que resfriam em vapor a cada arfar impulsionado por nosso peito soluçante de desejo e de êxtase. Como a materialização da suavidade áspera da pele, sempre presente como uma imaginação abstrata, agora arranhada efusivamente em despejo por cada arroubo insaciável de prazer.

A dúvida torna-se irrelevante, o receio do devir torna-se distante. Não nos importa o amanhã. Nossos corpos são o agora. Nossos corações estão em profusão. Não esperam, não duvidam, não receiam. Ambos apenas gozam como se a exaustão fosse o alcançar do paraíso. Em uma harmonia material e abstrata, transcendente e imanente, que une corpo e espírito em uma só pira de fogo ardente e incessante.


Se é certo não sei. Não me importo mais. O que sei é que, se também assim desejar, que deixemos arder!


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Nunca




 


Vamos viajar? Eu e você. Só. Pegar a estrada em direção a um lugar isolado, qualquer um. Uma cachoeira escondida no meio da caatinga, um chalé na beira do mar, ou uma pousada na Chapada? Qualquer lugar que tenha alguma água correndo por perto... Quero poder acordar com a luz do sol, sem alarmes e sem compromissos, poder olhar para o lado e te ver, nua, dormindo serenamente, alisar suas costas e, caso você acorde, que comecemos nosso dia em tremores, arfares e no saciar da vontade do outro. Quero levantar, fazer um café forte, comer um cuscuz, te ver se lambuzar e ficar abestalhado enquanto você ri da própria bagunça. E que nunca diminua a leveza.

Não teríamos, ao menos por um par ou dois de dias, compromissos a comparecer, cronogramas a cumprir, respostas a dar, teríamos apenas um ao outro e uma vontade de que aquele tempo dure muito! Com toda a leveza de apenas estar apreciando a companhia do outro. Sair, caminhar pela praia, ou pelo rio, falar bobagens e amenidades, se abraçar todas as vezes que assim der vontade e, por favor, que nunca acabem os beijos e os arfantes sorrisos que os precedem.

Voltaríamos ao nosso quarto, ou barraca, ou chalé, eu iria ao violão pra te ouvir cantar, desajeitados, contentes, felizes e nos divertindo. Nos embriagaríamos, não só do líquido, ou da fumaça, mas também um do outro, do desejo, do ardor, das carícias. E que nunca faltem afeto e afago, combustíveis intermináveis.

Ir embora talvez fosse triste. O mundo nos aperta, suprime, entristece e amedronta. Somos levados a ter receio dos afetos, das perdas, das decepções. Mas levaríamos conosco a certeza de que, mesmo que sempre devamos apreciar o momento sabendo que ele acabará, estaremos sempre ao alcance do outro. Aquele rosto lambuzado, os pés na água, o violão no canto, os abraços e afagos. E que nunca falte caminho para retornar.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Madrugada


 



Acordo lentamente, ao sentir um movimento seu e olho com cuidado para a cena hipnotizante à minha frente: Sua pele pálida reflete a luz que entra, insistente, pelas cortinas mal fechadas e destacam as pintinhas que salpicam suas costas. Passo a mão ali de leve e sinto sua pele arrepiar. Você dorme um sono leve, suspira ao menor toque. Te abraço, então, beijo seu pescoço e passo a mão por sua barriga, e sinto você, sem sequer abrir o olho, agarrar minha mão e a puxar para o peito. Sinto uma brasa se acender em meu peito quando você inclina o pescoço, convidativo, magnético, deixando aquela pele suave à mostra... e sinto ela com meus lábios já arfantes, enquanto te puxo pra mais perto e sinto suas costas encostarem em meu peito. Quando você joga o braço por trás e me puxa pelo quadril é como se aquela brasa se acendesse em chama e, mesmo que continuemos a nos mover com suavidade, absorvendo cada centímetro explorado, uma supernova explode entre nossos corpos!

Beijo suas costas e vou em direção à sua boca, enquanto sua mão passeia por minhas coxas e você começa a arfar baixinho. Quando nossos lábios se tocam você se vira e num impulso quase violento me joga para trás! Por um átimo minha mente se assusta, mas antes que ele terminasse você já estava segurando meus pulsos acima da minha cabeça enquanto me beija com avidez. Um leve farfalhar das cortinas, você levanta para respirar e vejo o sorriso mais encantador do mundo aparecer entre lufadas de ar e você passa a mão em meu peito, volta a me beijar e me dizer coisas, baixinho, que sempre pertencerão apenas a nós!

Suas mãos passeiam pelo meu corpo, às vezes se entrelaçando com meus dedos ao cruzar as minhas que exploravam cada centímetro de sua pele suave, que se marcava suavemente ao sentir meu aperto. A sua voz escapa, incontrolável, em momentos de controle tênue, rapidamente sufocada pelas costas da sua mão, exigindo que a outra apertasse a minha pele, numa tentativa de recuperar o controle.

Vez ou outra um movimento brusco, um puxão para jogar-se por cima do outro, uma valsa interminável de rompantes em resposta à sede que parecia aumentar a cada gole que tomávamos um do outro, as bocas sempre sedentas e arfantes pareciam ter congelado em inacreditáveis sorrisos, que insistiam em decorar aquela cena, normalmente tão rígida, mas que, em nossos corpos, fluía com uma suavidade relaxante, até carinhosa, ainda que não parasse de aumentar a chama que ardia com o encontro de nossos peitos.

Aquela dança, intensa, que esquentava nossos corpos, parecia que nos impulsionava a querer mais o outro! Cada vez que você sussurrava me dava mais desejo de você, do atrito com sua pele, de sentir cada vibração e reação espontânea da sua pele e os espasmos em suas coxas!

A energia em nós, que parecia infinita, dá seus últimos suspiros e não mais aguentamos sequer falar! Bebemos tanto um do outro, saciamos nossa sede, então ficamos ali, suspensos, lívidos, respirando abraçados, trocando carícias e sorrisos intermináveis. Mas inesperadamente, com um olhar lascivo, intenso, e após uma evidente e descarada mordida no lábio inferior você se aproxima do meu ouvido e, com uma mão passando pela minha coxa, sussurra novamente e desperta algo em mim...

Mais sede!

Mergulho



 

Em meio a uma divagação sobre os astros, revelações inesperadas

Sintonizamos o desejo, a vontade, a sede, surpreendentes pares desconectados

Ansiamos por tornar as sensações, já descritas, reais... Palpáveis! Memórias!

O vislumbre nos torna ainda mais sedentos e mergulhamos um no outro

Uma imersão súbita, forte, mas tão leve que convida mais para o fundo

Uma inusitada suavidade intensa, um fazer sentir, uma explosão sussurrada

Duas luas frias passam a nos procurar, contagiando e alimentando sem nos ver

Sua pele branca, único reflexo de luz em nosso mergulho, ilumina meu rosto lívido

Páginas são trocadas tanto quanto sorrisos, que já não sabem mais o caminho de ir embora

Carícias viram afagos, tornam-se "safarinhos" e descansam em novas carícias

A cada beijo sorrindo, uma chama nova aquece o peito

Emergimos, saímos da água, a sede nos acompanha

 

E mais mergulhos o corpo pede, implora!

Mais saltos, profundos, leves

Mais água me torno, mais água quero ser e mais quero beber

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sensações

 




O tato pode ser uma conexão profunda. Sentir o toque, a reação involuntária a ele, o arrepio e a contração da pele que se defende de um toque estranho que, mesmo assim, às vezes pode ser convidativo. O olhar, porém, é uma conexão ainda mais potente! Observar o outro, as expressões, os detalhes involuntários de milhões de microexpressões que, num átimo, entregam o que há por dentro de atraentes camadas de mistério, isso é fascinante! Esquadrinhar cada linha, memorizar as formas, vislumbrar cada mudança no rosto causada por uma linha de sorriso que se espalha em direção aos olhos. Riqueza. Mas nenhuma conexão física é mais profunda que ouvir! Se fechar os olhos, ouvir a voz dançando através dos ouvidos, as respirações antes de cada frase, que modificam a intensidade do que é dito, a intensidade de uma sonoridade que, às vezes, nos carrega a um nirvana sensitivo. Arranca, arrasta, transcende! Transforma um suspiro em ventania, deixando nada atrás, arrastando uma pífia tentativa de se manter concentrado. Uma risadinha incontrolável que interrompe uma frase vira um terremoto e não há este que diga que consegue manter-se em pé, ao ouvir tal som, sem também agarrar-se a um sorriso. São forças da natureza! Sem nos tirar do lugar, nos fazem sentir livres, sem limites, sem corpo, sem prisões...

E a natureza, caprichosa que só ela, nunca há de se contentar em enviar apenas uma das suas armas para nos mostrar que não passamos de um brinquedo a seu deleite. O espírito, desavisado, inocente, atraído pelo brilho radiante de sua beleza selvagem, impulsiona-se em direção às suas garras, querendo sentir o arrepio magnético do tato, dançar pelas linhas hipnóticas de um sorriso, ser arrastado por uma voz suave e poderosa... Não importam os perigos! O desejo, primal, é fundir-se a essas forças, sentir elas transpassarem pele, alma e mente, numa apoteose de desejo, fúria, emoção e paixão...

Apenas... Leva-me!

domingo, 11 de abril de 2021

Saia!

 




Oi. Peço-te um agrado. É pouca coisa, questão de necessidade, para que meus sonhos voltem a ser tranquilos e ao acordar o repouso tenha descansado meu corpo:

Por favor. Saia da minha cabeça! Saia dos meus sonhos! Saia do meu olhar, deixe-me em paz quando vejo a lua, ou quando sobe o cheiro de terra molhada! Por favor! Não aguento mais te sentir em meu café! No delicioso amargor que estrala ao toque quente, tal qual sentir sua língua roçando meu pescoço, procurando os pontos por ele espalhados. Não me aquieto mais ao deitar na rede para descansar o fim da tarde, pois o vento que assobia em meu rosto me sugere que “chegue pra lá” para que você possa se aninhar em meu peito. Não suporto mais observar a chuva, pois é impossível não pensar nas vezes que você falou estar deixando que a neblina escorra por seu rosto, por suas curvas, escorrendo por entre as mechas de seu cabelo e arrepiando sua pele ao tocar friamente seus ombros.

Estou desamparado! Sinto que não consigo respirar! Você está em todos os lugares! Nas músicas que ouço, percebo seu nome oculto em cada verso; nos filmes que vejo, ouço sua risada ressoar junto à minha em uma tirada. Minha mão parece sempre se fechar, como se a sua devesse estar ali para ser apertada!

Espero que entendas minha angústia, meu afligir sufocado. Não suporto mais ver-te em todas as cores, escutar-te em todos os sons, sentir-te em cada toque e arrepio, imaginar sua pele em cada aroma, como se tudo cheirasse a essência de maçã com canela...

Sendo assim, te peço, desesperadamente, que pare! Que, em nome da paz em meu espírito e do meu sono tranquilo, assim repito, rogando e apelando ao seu bom senso: saia da minha cabeça!

E ao sair, que venha para meu lado! Para que não mais eu imagine, não mais eu sonhe, não mais eu precise fechar os olhos para sentir teu cheiro... mas que ao abri-los, os teus estejam lá, me observando junto com um sorriso, a lua, a chuva, a essência e todos os beijos que pudermos dar, até que nossas línguas queimem no quente amargor do café que sempre estará em nossas mãos.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Descanso

 




Um dia cansativo, a mente cheia, uma lufada de descanso merecido. Era fim de tarde, a janela do quarto virada para oeste permitia a entrada do sol em um raio alaranjado que ondulava quando um vento batia na cortina. A fórmula perfeita para um descanso do corpo e da alma. E, mal sabia eu, que de outros cansaços também...


Sabe quando você acorda "sonhando"? Pois é. Eu estava deitado, largado na cama, com ventilador em cima, as roupas já largadas em cima da cadeira. Quando aquele clima bucólico se transformou em um sonho tão vívido eu nem percebi que não estava mais acordado.

Ouço sem ver quando você, com cuidado, abriu a porta, entrou e suavemente passou a mão em minhas costas, me acordando. Acordar num sonho é interessante, a gente desperta, mas o mundo continua turvo. E naquele momento a sua mão alisando minhas costas era a única coisa que eu sentia.

Me inclinei, olhei pra cima e te vi: Você usava um body de renda, preto. Delineava sua cintura e quadril perfeitamente. E a renda contrastava com sua pele, dando ainda mais destaque a seu corpo nu que podia entrever naquele tecido tão provocante.

Um detalhe: Durante todo o sonho nós não proferimos UMA palavra sequer.

Eu me virei de peito pra cima, sorrindo, e você começou a passar a mão por minhas pernas e a beijar meu peito. Ainda bem suave e delicada. Quando tentei pegar na sua cintura, você segurou minha mão com firmeza!

Então colocou meus braços acima da minha cabeça e começou a beijar meu pescoço, com mais avidez, a respiração acelerando no mesmo compasso que a minha. Suas mãos desceram explorando meu corpo inteiro e voltaram a acariciar minhas coxas, da parte de fora pra dentro, apertando com mais voracidade, agora.

Neste ponto começou a subir a mão, passando por minha virilha e explorando um pouco ali. Com suavidade em alguns pontos, mas com firmeza onde a mão melhor se encaixou. Acariciando e estimulando, enquanto a outra mão subia pelo meu quadril e costas até meu pescoço

Neste ponto eu recuperei, num lapso, o controle dos movimentos, e puxei você pra cima, pegando pela cintura e te trazendo até meu quadril. Com você sentada ali eu passei as mãos por suas coxas com firmeza, sentindo a maciez da pele arrepiando e o músculo enrijecendo ao toque, em leves espasmos. Alisei os dedos sentindo seu quadril e parei as mãos por ali. Enfiei os dedos pelas bordas rendadas do body e apertei sua bunda quando você inclinou pra frente e me beijou.

 

Ar... me faltou ar neste ponto...

 

Então você se ergue e com um olhar provocante, lascivo, que parecia penetrar em meus olhos, passou a mão por trás de si e levou ela de minha coxa em direção a minha virilha, alisando minha pele com as unhas. Se levantou um pouco, mexendo os quadris pra frente e pra trás, sentindo a carícia que você mesma conduzia e jogando a cabeça pra trás, aparentemente curtindo a sensação do toque, fechando os olhos e abrindo a boca, num leve, profundo e arfante gemido.

Eu já estava com a mão em sua bunda novamente, apertando. Você abaixou a cabeça, abriu os olhos e me olhou, sedenta, faminta. Então você se abaixou e vorazmente me beijou de novo...

 

O êxtase me acordou, arfante, suado e, apesar da frustração inevitável, com uma euforia inexplicável.

 

Volte... Temos algo a terminar.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Companhia lunar


 


Eu não estou aqui.


Mas senta aí no seu quintal, num lugar que bata um vento fresco, de preferência sob a luz da lua. Levante seu expressivo e lindo rosto, com o qual tenho sonhado tão detalhadamente, em direção a ela e deixe que ela a inunde! De cá, de tão longe, estou enviando por ela, velha a miga, um abraço apertado em conforto, aconchego e abrigo. De sua luz pálida, privilegiada, ela ilumina a nós dois, unindo nossos corações em um só, permitindo que, ao menos dessa forma, eles possam se aquecer.

Um carinho em seus cabelos, levado por um suave vento leste, e um afago em sua bochecha, que, queria, estaria acomodada em meu peito, completando nosso abraço apertado. Eu não posso estar aí, não posso te aconchegar em meus braços, te esquentar e te fazer esquecer da dor e da angústia, e isso me corrói. Mas ao olhar para essa luz que nos ilumina, que nos conecta e nos torna próximos, sinta todo meu coração que não mais aqui comigo está, mas bate intensamente em busca de aquecer o seu, que não passará por angustia alguma sozinho.

Estou aqui.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Papo de cafuné






Escora aqui. Deixa eu te contar. Deixa eu te contar de todas as vezes que fechei os olhos e imaginei você com a cabeça em meu ombro... e que o toque aveludado de seus cachos na maçã do meu rosto era exatamente tão maravilhoso quanto eu imaginaria que fosse! Deixa eu te contar que é de propósito, quando eu faço cafuné, dar uma bagunçada de leve, pra que você se levante fazendo uma cara revoltada, escondendo uma risada, reclamando que não quer mais que eu passe a mão ali... só pra dois segundos depois voltar a passar os dedos no seu cabelo e ver você derreter em meu peito! Deixa eu te contar que fico hipnotizado quando vejo seus olhos enormes me olhando e percebo que não são mais estáticos, obras de arte que eu tanto desejava gravados numa imagem congelada que era tudo que eu podia ter de você... Deixa eu sentir suas mordidas, seus arranhões, suas mãos apertando meu braço, me fazendo arrepiar a pele e querer puxar pra mim a sua, na sede, impossível de saciar, de sentir sua textura, seu toque, seu sabor! Deixa eu estender a rede e vamos nos largar desengonçados olhando as estrelas de braços e pernas entrelaçados, contorcendo desconfortavelmente cada vez que temos a ânsia de um beijo! E deixa eu te dizer que cada contorcer eu faria novamente por uma vida, pra sentir você mordendo meu lábio e puxando num sorriso delicioso...

Deixa eu te contar do quanto você me faz sentir em paz... do quanto seu sorriso aquece minha alma e me faz sentir vontade sair soltando fogos pra extravasar a festa que há em meu peito! Deixa eu te contar que sempre que você deita em meu peito eu me sinto abraçando o maior tesouro do mundo, que eu quero cuidar e fazer sorrir, dar carinho e aconchego... ser seu porto seguro, sua segurança! Deixa eu te contar que quero ser seu melhor amigo, seu parceiro de role, seu professor e seu aluno... que quero estar contigo em todas as vitórias comemorando feliz e orgulhoso, mas que também estarei quando uma não for conquistada, pra não te deixar esmorecer e pra segurar sua mão... e pra ser idiota o suficiente pra te arrancar um sorriso até nesses momentos!

Deixa eu te contar que eu não tenho medo do pra sempre, nem de que ele não chegue... que o único medo que eu tenho é de não conseguir ser tudo isso que você merece ter e viver! Deixa eu te mostrar o mundo e as viagens que ainda pretendo viver... os lugares que quero conhecer contigo e os que quero te mostrar... Deixa que o futuro a gente possa escrever juntos, sem deixar que ele nos amedronte, nem que ele não importe!

Deixa eu te dizer que finalmente ter você comigo me faz me sentir a pessoa mais feliz do mundo mesmo que eu acredite não merecer tanto... E me deixa dizer, todo dia, ao acordar, que eu desejo um dia lindo pra você! E ao ir dormir, que você tenha um bom sono, que descanse bem e que sonhe seus sonhos malucos pra que você me conte depois entre risadas e revoltas (e às vezes tapas)!

E me deixa dizer, todo dia, não só uma vez, mas todas as vezes que isso emanar de meu peito, o quanto eu te amo, Preta! O quanto você é importante pra mim!

E o quanto eu sou feliz por você me deixar te dizer tudo isso...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sede




Após tanto tempo, eis que me deparo novamente com a luz do cobre que brilha em seus olhos. Mas há algo diferente nesse olhar, nessa expressão que me observa... vejo mais maturidade, mais determinação... mais voracidade! E torna-se impossível resistir ao magnetismo desses dois imensos faróis que, agora carregados de uma intensidade e firmeza que antes não tinham, continuam me fitando. Como reagir? Todas as sensações afloram lembranças. A pele se lembra do toque suave e macio da sua, além das reações em cadeia que ele desencadeia: o arrepio, o choque elétrico incendiando todo o corpo e o calor percorrendo as extremidades. Os olhos se lembram da proximidade... de estudar de perto as diferentes nuances da cor acobreada de sua íris e do quão hipnóticos seus enormes olhos podem ser. A boca se lembra do toque aveludado, da sede que desperta, do ímpeto... da sensação de se beijar sorrindo!
Não há como resistir às lembranças, não há como não comparar, como, ao tocar seu corpo, perceber o quanto você está diferente e como ainda é aquela mesma menina com um sorriso zombeteiro, brincando com as minhas sensações e emoções. A voracidade me contagia, não há como evitar. Ao te tomar novamente em meus braços e ao sentir sua cabeça repousar em meu peito, tomo extrema consciência de cada centímetro de meu corpo que está em contato com o seu. Meu ímpeto é me jogar para você e saciar minha sede de sua boca, de seu corpo... de seu êxtase.
Permanecemos nas surdinas, sem alertar nossas intenções, mas perscrutando-nos, analisando-nos, esperando o movimento. Sua voracidade, minha impetuosidade... cúmplices no deslize, cada vez mais nos impelem um ao outro. Ao saciar da sede...

Ao êxtase!


~2015

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reencontro




Cada dor traz consigo a percepção de finitude. É inevitável pensar que aquilo não passará mais, que você será obrigado a conviver com a sensação de que algo não desceu pela garganta direito e saiu arranhando tudo permanentemente. E você sempre vai achar que é impossível sair dessa caverna, que não dá pra voltar novamente ao ponto de plenitude, em que há, se não felicidade plena, a busca por ela, estimulada pela esperança e, em alguns casos maravilhosos, pelo apoio de alguma parceria. Bem, muitos de nós já tivemos essa sensação.

Então você resolve se dar uma chance, mesmo que sem muita esperança, de viver um pouco! É comum ter várias experiências que, mesmo boas, não te deem a satisfação que você procura. Afinal, aquela dorzinha lá atrás ainda te prende e te atrai para ela.

É irônico ver como, de todas as coisas que eu sempre defendi, foi exatamente o receio que nos aproximou! Dois abestalhados, arrastando as correntes do passado, cheios de medo de se mostrar realmente. Pois exatamente foi sendo abestalhados que nos encontramos, nos identificamos e nos encantamos! Todo carinho que correu por entre nós foi recheado de sarcasmo, escárnio, ironias... mas muito afeto! O sentimento de esperança brota junto com a quantidade de sorrisos, a cada defesa que vai se abaixando, através de um carinho, uma mordida, ou quando ela se escorou em meu ombro e simplesmente cochilou!

Mas parece que a vida nos prova novamente e ela parte... sem previsão de volta e sem termos sequer realmente definido o que queríamos de nós! A vida não está aqui para ser agradável... Porém, “aos olhos da saudade, como o mundo é pequeno”, como diria Baudelaire, e a esperança brotada lá atrás permanece viva! Assim como o apoio e o carinho, mesmo que a distância insista em nos estapear a cara. E, ora, quem sabe o que o futuro nos reserva?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sombra inevitável



De todas as características que as coisas têm, a mais encantadora e a mais destruidora é a finitude! Não existe bem que, com o tempo, mal uso ou abandono, não acabe. Um anel de metal nobre, que, largado num canto, fica entregue às traças, vai enegrecer. Um computador de última geração, que não receba manutenção constante, vai se tornar inútil. Uma imagem no porta retrato, que fique apenas embelezando a escrivaninha, mesmo com o cuidado, o tempo tratará de desfazer. Todas as coisas têm um fim e compreender isso é aterrorizante e ao mesmo tempo belo! Mas o que realmente é assustador é observar que, assim como as coisas, os sentimentos, relações e pessoas também o fazem! O mal uso, mal trato, mau cuidado, é óbvio, destrói tudo que toca. Já o abandono traz consigo uma sombra agonizante, que impede o calor de entrar no coração, fazendo ressoar cada batida com um eco quase fantasmagórico que assusta em cada onda sonora. O tempo pode ser o mensageiro mais cruel da finitude, pois a traz à prestação, deixando ao redor um pedacinho por vez, em cada direção, preenchendo cada espaço existente, para revelar seu tamanho esmagador...

Porém, a finitude não é só nefasta, ela também é de um charme raramente compreensível! É a compreensão da finitude que torna os sentimentos reais! É o vislumbre de sua chegada que faz com que algumas chamas se reavivam, com nova lenha alimentando línguas de fogo mais quentes. É sua presença que torna corações esmorecidos grandes guerreiros impetuosos, que a enfrentam e rechaçam, reafirmando a plenitude do sentimento!! A finitude existe! E sua sombra é inevitável... o que você fará quando ela se debruçar sobre você é que definirá o quanto vale a pena mantê-la à distância. Não a deixe se aproximar... mas não a perca de vista!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Cansaço




Em determinado momento, começa a abater-se o cansaço. Você começa a achar que a atitude tem menos cara de perseverança e cada vez parece mais uma tola insistência. Talvez a paixão que vive na esperança te cegue para o óbvio: Não há mais para onde avançar! Os projetos tão sonhados, o futuro almejado, não passam de projeções na parede da caverna! A verdade é tenebrosa e assustadora. O medo, aquele velho cuja força você sempre defendeu depender da sua atitude sobre ele, mostrou-se uma sombra pesada e profunda. As suas garras entranharam-se de tal forma que não importa o quanto você lute, não consegue arrancá-las.
A vida tem dessas... parece que quando a gente começa a achar que as coisas estão bem encaminhadas, que tudo que você está fazendo para concretizar seus objetivos está correndo da forma esperada, ela vem e te mostra que a maior tolice da existência é achar que se tem algum controle sobre o futuro e a ordem das coisas.
“Ah não se pode deixar tal pessimismo dominar”. Não, realmente não se pode! É preciso contemplação! Perceber que o objetivo não é controlar, mas sim saber como lidar com aquilo que todo o emaranhado de eventos isolados nos apresenta. Após a percepção, o sofrimento é inevitável. Deixar para trás, viver uma vida diferente, separada, não é uma ruptura indolor e que não deixe marcas! Mas passa! Nada dura para sempre, dura apenas o momento suficiente para deixar as impressões necessárias. E é importante desprender-se daquilo que não funciona mais. 
Não, não é conformismo. É consciência! É o primeiro passo rumo à aprendizagem e mais uma evolução.